- BIOGRAFIA
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Coreógrafa e bailarina, co-fundadora e membro da direcção do balleteatro. Ao longo da sua carreira, tem desenvolvido em ligação os seus trabalhos artísticos com os científicos cujas áreas de principal pesquisa são a estética e as práticas contemporâneas na dança e nas artes performativas. Em 2004, conclui Doutoramento em Dança (FMH, Universidade Técnica de Lisboa) com a tese Corpo e sentido: uma proposta sobre a materialidade na dança. Obtém, em 1992, o Master of Arts in dance studies no Laban Centre, City University em Londres, com o espectáculo Pensamentos silenciosos e um texto Dance as discourse. Frequentou a Faculdade de Ciências do Porto entre 1981-84 e concluiu, em 1990, o Curso Superior de Teatro (ESAP). Iniciou a sua formação em dança clássica e mais tarde trabalha dança contemporânea e composição coreográfica, nos Estados Unidos, Smith College, onde reside entre 85 e 86. Desenvolve trabalho artístico regular desde o início dos anos noventa em particular com a companhia do balleteatro. Em 2007, a convite do Teatro Nacional São João realizou o Ciclo Né Barros, onde apresentou alguns trabalhos mais emblemáticos e performances. Coreografou para a Companhia Nacional de Bailado Passos em Branco (1999), pela qual viria a receber o Prémio Melhor Coreografia, e para o Ballet Gulbenkian exo (2001). A convite do C.C.B. e Remix Ensemble coreografou Nº 5 (2002) que representou Portugal nos encontros Repèrages de Danse à Lille (França). Os seus trabalhos contam regularmente com colaborações de diversos artistas das áreas da fotografia e cinema, música e artes plásticas em particular, com Daniel Blaufuks, Cesário Alves, Filipe Martins, Saguenail, Carlos Assis, Alexandre Soares, Sérgio Azevedo, Carlos Guedes, Roberto Neulichedl, Gabriela Vaz, José Álvaro Correia, Nuno Coelho, Albuquerque Mendes, Nuno Carinhas, Vera Castro, Alexandra Cruz, Manuel Casimiro, ELASTIC Group of Artistic Research. Destaque para a colaboração com Lygia Pape na reconstrução dos seus Ballets Neo-Concretos (2000). Fez teatro, destaque para a personagem Ofélia de Hamlet Machine de Heiner Muller numa encenação de João Paulo Seara Cardoso e Isabel Barros. Foi protagonista na longa-metragem Mas’sin um filme realizado por Saguenail. Realizou video-dança com circulação em diversos festivais. Em 2006 e 2007 fez parte da comissão de selecção do Festival Curtas de Vila do Conde. Tem orientado teses nas áreas da performance, das artes performativas, dança e novas tecnologias. Na sua actividade como formadora, tem sido convidada a leccionar em diversas instituições, FMH, ESD, ESE e ESAP. Investigadora no Grupo de Estética, Politica e Artes do Instituto de Filosofia (U.P.), colaboradora no Centro de Estudos Arnaldo Araújo e entre 2005-07 no IHA- Estudos de Arte Contemporânea. Tem artigos publicados sobre o Corpo, análise, composição e estética da dança e das artes performativas. Organizou diversos eventos, em particular, Mostra em Itália sobre a dança em Portugal (1999); encontro internacional, Metamorfoses do sentir, tendo como convidado central o filósofo Mario Perniola e do qual editou um livro homónimo (1998). Em 2009, fez parte da comissão organizadora e científica do encontro “Artes performativas e novos Discursos” promovido pelo CEAA. Em 2009 publicou o livro Da Materialidade na dança e, em co-autoria com Cesário Alves, Story Case Print.
STORY CASE
Story case trata de lugares vazios e de pessoas sem história no sentido de uma história ainda não vista, ainda não realizada. Tal como o corpo na dança, os indivíduos em Story Case surgem-nos e é no decorrer do tempo que os vamos documentando até eles se tornarem personagens. Fotografar essas pessoas faz com que passem a protagonistas e se criem todas as condições para que uma história se abra aos olhos de quem observa. Esta ambivalência documental e ficcional caracteriza o campo de investigação e de explorações deste projecto que reúne a dança e a fotografia e que encontra no deserto o seu motivo inspirador. Como diz Maurice Blanchot: “O deserto, não é ainda nem o tempo, nem o espaço, mas um espaço sem lugar e um tempo sem procriação. Ali, pode-se somente errar, e o tempo que passa não deixa nada para trás de si, é um tempo sem passado, sem presente, tempo de uma promessa que é apenas real no vazio do céu e da esterilidade duma terra nua onde o homem nunca está ali, mas sempre de fora”. Mas para além da metáfora da representação do corpo e desta descolagem do real para produzir outra realidade poética, o deserto é momento vivido e percorrido. Nas palavras de Adalberto Alves, no deserto chegamos “a ouvir o ritmo da respiração que é o reflexo do bater do coração”.
Fotografia Cesário Alves
Musica Alexandre Soares
Intérpretes Joana Castro e Pedro Rosa
Desenho de Luz José Álvaro Correia
Dispositivo cénico Teresa Grácio
Edição para projecção vídeo Hélder Luís
Textos Adalberto Alves e Maurice Blanchot
Coordenação técnica Matu
Produção executiva Patrícia Caveiro
Co-Produção Balleteatro e Teatro Nacional S. João
Duração 45 minutos
Classificação M/12
FREE SHEET
ree Sheet é um projecto de dança e musica improvisada de Né Barros e Alexandre Soares. Surgiu na sequência de um longa série de improvisações que ambos os criadores realizaram nos intervalos dos diversos espectáculos. Free Sheet, é um projecto em constante mudança, sem lugar ou duração fixa. Apresenta-se de forma informal seja em espaços alternativos seja em teatros. Livre não no sentido de gratuito, mas no sentido da dádiva de um momento que algures teve a sua história e origem, há algo de escrito...
SEGUNDO PLANO
TERMO RECORRENTE DA LINGUAGEM CINEMÁTICA E FOTOGRÁFICA, SEGUNDO PLANO COLOCA-NOS SOBRETUDO QUESTÕES DE HIERARQUIA NA PRECEPÇÃO E DE CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DO OBSERVADO.
Estou a pensar no punctum do Roland Barthes e naquilo que irrompe na imagem e na acção e nos atinge, sobrepõe-se a outros aspectos e dirige o modo como o sentimento se forma. Estou a pensar ao género de um palimpsesto onde escritas se acumulam e se sobrepõem no corpo e nas acções. Estou a pensar numa espécie de magma formado por múltiplos e plurais sons, imagens e acções que no seu simultâneo constituem uma realidade que não sendo primeiro plano também não são fundo. Logo no início do espectáculo surgem estas matérias sonoras e visuais que figuram a nossa realidade de todos os dias: uma voz ao fundo, uma zona branca sem protagonista, uma passerelle sem modelos, sons de chaves e ruídos de quem estar a montar coisas...
Desta confluência e concorrência de planos construímos as nossas histórias e a nossa realidade. Este projecto foca-se nas linhas e nas zonas de ambiguidade entre primeiro e segundo plano, na ordem de importância entre as coisas, no desnível de planos e de como desta condição se constroem micro narrativas. Interessou-me contudo, que tudo isto se passasse não numa fragmentação radical ou na rejeição de uma macro narrativa, mas na vontade que por ali paire uma história. Como uma história desfocada. No fim tudo é ficção.
Música original e interpretação ao vivoAlexandre Soares
Espaço cénico e figurinos Né Barros e Gabriela Vaz Pinheiro
Desenho de luz José Álvaro Correia
Intérpretes Bruno Teixeira, Joana Castro, Pedro Rosa, Sónia Cunha
Colaboraram num dos temas Pamelia Kurstin (theremin), Madame Pi (voz) e Gustavo Costa (percussão)
Direcção técnica Alexandre Vieira
Produção executiva Patrícia Caveiro
Co-produção balleteatro e Cine-teatro Constantino Nery – teatro municipal de Matosinhos
Apoio Centre de Création Chorégraphique Luxembourgeois (TROIS C-L) e Instituto Camões
Agradecimentos TNSJ
WITH DROOPING WINGS
With Drooping Wings toma de empréstimo um verso do libreto da ópera Dido e Eneias, de Henry Purcell, e configura uma reinterpretação do mito. Esta reinterpretação consiste em duas partes: uma curta-metragem e o espectáculo propriamente dito. O filme, realizado por Filipe Martins, coloca-nos no limiar dos afectos através do encontro e desencontro de personagens em trânsito, transformando-se o próprio filme num objecto em trânsito na sua lógica de construção. O espectáculo tem por base a própria obra de Purcell, e os recursos sonoros-musicais de Carlos Guedes e cenográficos de Manuel Casimiro foram pensados de forma a intensificar uma dramaturgia do movimento e da cena. Sempre expostos, os bailarinos tanto se vão transformando em personagens como são espectadores do que em cena vai acontecendo; estão numa espécie de dentro-fora de cena, colocando a tragédia num plano objectivado. O trânsito, aqui, faz-se num território ausente. O trânsito é o próprio território. Dido e Eneias Duas figuras do imaginário mitológico transportadas para uma existência mundana. Ele é um recém-chegado sem origem, ela é uma entusiasta dos ingredientes imagéticos do real. Conhecem-se num novo mundo, metonímico, estreito, reduzido à dimensão destas personagens. Reféns de atractores arquétipos, elas cumprem uma vez mais os seus destinos.
Música Dido e Eneias, de Henry Purcell
Intervenção sonora Carlos Guedes
Objecto cénico e figurinos Manuel Casimiro
Desenho de luz José Álvaro Correia
Interpretação Andreas Dyrdal, António M. Cabrita, Eliana Campos, Jorge Gonçalves, Kanae Maezawa, Kojiro Imada, Mariana Barros, Romulus Neagu
Estreia Teatro Nacional São João
Co-produção Balleteatro, TNSJ
Argumento e realização Filipe Martins
Direcção de fotografia Francisco Vidinha
Direcção de arte Né Barros
Música Dido e Eneias de Henry Purcell
Som Marco Conceição
Edição e pós-produção Filipe Martins
Interpretação António M. Cabrita, Kanae Maezawa
Assistente de imagem Rui Cunha
Assistente técnico Hélder Teixeira
Produção executiva Né Barros, Cláudia Santos
Co-produção Balleteatro, TNSJ
MOVIMENTANTES
Movimentantes é uma trilogia constituída pela coreografia exo (Ballet Gulbenkian, 2001) e pela reconstrução das coreografias No Fly Zone (Balleteatro Trilogia exo + No Fly Zone + Vooum Companhia/TNSJ, 2000) e Vooum (Balleteatro, 1999). Os figurinos de exo foram concebidos por Vera Castro. Os desenhos de luz originais de exo, No Fly Zone e Vooum foram concebidos por Carlos Assis.
VAGA1
As performances Vaga 1 e Solistas 1 foram pensadas para locais de passagem (os tão mencionados “não-lugares”!), recorrendo para tal a objectos e dispositivos cenográficos de espectáculos anteriores. Vaga 1 é uma performance inspirada em Vaga (2003), que conta com a participação do músico Alexandre Soares e na qual os bailarinos transportam também para uma estação de metro as malas techno concebidas pelo ELASTIC Group of Artistic Research. Solistas 1 é a instalação numa estação de metro de uma espécie de bolha, um enorme insuflável usado no espectáculo Solistas (2005), que se apresenta como metáfora do isolamento. As performances tentam mais uma vez questionar o lugar, ao mesmo tempo que propõem novas representações do corpo numa lógica das condições do humano, hoje. Vaga 1 é uma performance criada a partir do espectáculo Vaga (co-produção Balleteatro, TNSJ, Coimbra Capital Nacional da Cultura, 2003).
SOLISTAS 1
As performances Vaga 1 e Solistas 1 foram pensadas para locais de passagem (os tão mencionados “não-lugares”!), recorrendo para tal a objectos e dispositivos cenográficos de espectáculos anteriores. Vaga 1 é uma performance inspirada em Vaga (2003), que conta com a participação do músico Alexandre Soares e na qual os bailarinos transportam também para uma estação de metro as malas techno concebidas pelo ELASTIC Group of Artistic Research. Solistas 1 é a instalação numa estação de metro de uma espécie de bolha, um enorme insuflável usado no espectáculo Solistas (2005), que se apresenta como metáfora do isolamento. As performances tentam mais uma vez questionar o lugar, ao mesmo tempo que propõem novas representações do corpo numa lógica das condições do humano, hoje. Solistas 1 é uma performance criada a partir do espectáculo Solistas (co-produção Balleteatro, Culturporto/Rivoli Teatro Municipal, 2005).
SOLISTAS
Os “Solistas” colocam-nos a problemática do limite do gesto e do corpo, assumindo um discurso de subjectividade intimista em que o iminente contacto com o outro assume a sua forma mais primária, ao fazer reviver experiências primeiras de gratificação e afectos. Assistimos ao questionar dos limites que fundam os discursos da subjectividade, em que o universo de cada um se conjuga em sons e aromas com uma verdade sem fronteiras que é um (in)consciente colectivo. É um universo plural e múltiplo que tem como paradigma a relação entre o individual e o colectivo. Este trabalho encontra-se sob o signo do fascínio da origem em que, constantemente, se questiona a relação entre o pensamento, o sentimento e o corpo, levando ao limite a pesquisa do momento originário desta relação. (Cláudia Marisa Oliveira)
DIA MAIOR
Condenado a sobreviver aos constrangimentos da ordenação do real, a dualidade do corpo produtor/descodificador de signos adquire o seu significado mais puro no confronto com o Outro. Partindo de um contexto de trabalho experimental, a coreógrafa Né Barros percorre o território das tensões da comunicação e dos sentimentos rumo ao transcendente. Em Dia Maior, o tempo reclama a dimensão fragmentada das emoções físicas. Existirá um sentido supremo que encontre no corpo em movimento, veículo do pensamento simbólico, o seu sustentáculo primordial?(...). Dia Maior, gerado do ventre de um contexto de trabalho manifestamente ensaísta, revela uma sobriedade interpelativa, nua de preconceitos e inspiradora de movimentos, abrindo novos espaços (...), de acolhimento e procura, de análise e interrogação, prontos a serem ocupados pela epifania do Outro, no confronto das múltiplas relações e sentimentos, na proximidade primária intrinsecamente violenta da paixão e no isolamento social das multidões que anulam o indivíduo face ao seu desejo frustrado, consequentemente, auto-antropofágico e alucinatório. (Anastácio Neto) Anastácio Neto, in programa do TeCA
VAGA
Vaga, que dá continuidade, como numa viagem mental, a outras duas produções anteriores, (...) completa um discurso que se desdobra em várias frentes, na sua natureza dupla de trabalho dividido-unido numa primeira parte formal, feita de passagens dentro-fora de cena e de microdanças intensas que nascem de variações sobre “famílias de gestos”, segundo uma modalidade que o pós-moderno americano ofereceu à velha Europa, e numa segunda parte “expressiva-performativa” com os bailarinos de rosto coberto atentos a uma obra colectiva de improvisação por enigmas. Explica a coreógrafa: “A leitura do espectáculo, para mim, deve ser entendida no sentido da perda, da des-memorização, do esvaziamento, do isolamento, também como metáfora da nudez psicológica e da identidade na sua condição impessoal”.(Elisa Vaccarino)
VIDEO SOLO
VIDEO SOLO - 2003 Em Video Solo é construída uma criatura que pode ser sintetizada como gesto parcialmente oculto (quando o gesto é corpo inteiro). Por um lado, a cabeça é substituída por uma caixa com écran, por outro, o gesto do corpo humanamente reconhecível é um gesto possível de um corpo cego. Este era o centro da pesquisa do gesto coreográfico ou se quisermos dos limites do coreográfico. Agindo no multiverso da virtualidade, habita-se o mundo das aparências retrabalhando as nossas experiências fenomenológicas, alterando o espectro da nossa crença apaixonada nas coisas e sentimentos. (Né Barros)
Nº5
Concebido inicialmente para um programa de música – dança, organizado pelo Centro Cultural de Belém, esta peça é o resultado da minha junção ao compositor Sérgio Azevedo. Além da parte formal do resultado (que de alguma maneira eu incorporei), o discurso musical utiliza fortemente uma visão narrativa/cinemática. É por isso que durante o processo foi pedido aos dançarinos que traduzissem em palavras e movimentos os sons e as músicas de um filme escolhido. Eles aperceberam-se que a maior parte da memória auditiva foi esquecida e tinham tendência para compensar essa perda com gestos desenhados, rítmicos, burlescos. Esta peça resultou em algo ficcional, circense, animado, evoluindo de uma peça absurda para uma história compreensível onde os bailarinos, a todo o momento, sabiam onde representar. Em certo sentido estas “figuras”, quasi-persona, são a face muda dessa música e a face ruidosa do gesto gag. (Né Barros)
EXO
A poesia de Nava em particular A Carne acompanhou as minhas reflexões nos ensaios de exo. Em exo a ideia de um corpo do avesso ligava-se com o desfigurar, esfolar (ideia figurada pelos figurinos), ou ainda noutro sentido menos imediato, com um campo hipersensível (a luz era uma projecção indefinida pulsante, o movimento também tinha por vezes esta qualidade), um fluxo (contínuo-interrompido), dísparos, projecções. Uma indicação de sentido: para fora. Assim, a peça foi construída como um anti-climax, do grupo ao solo, mas como se toda a parte de conjunto tivesse um aparato caótico, intenso, cuja finalidade seria chegar à forma singular (...). Ao longo do trabalho (...) a condição plástica que se vai gerando instala o ambiente: desamparo, descarnado, deserotizado. Noto que anti-climax ou o termo deserotizado parecem contrários à poesia de Nava. Mas para mim é como se a intensidade erótica do poema estivesse no movimento das palavras (a escolha e no modo como se organizam), não na “figura” que produzem, uma figura inquietante. (excertos de uma entrevista para José Pedro)
SEQUÊNCIAS
Ao trabalhar sobre as “Sequenzas” de Luciano Berio pretendi criar a oportunidade dum momento a solo a cada aluno através duma coreografia que fosse simultanemente um espaço de escuta e um estudo da relação do intérprete com o seu próprio movimento. Flauta, Voz e piano, foram as sequências escolhidas para explorar diversas formas organizativas e compositivas do gesto. (Né Barros)
NO FLY ZONE
Numa quasi-instalação, é recriado um campo de tensão onde sujeitos-dinâmicos se substituem ao indivíduo-psíquico, onde presenças conotam ausências, onde a acção é não-reacção. Coreograficamente, o recurso a uma linguagem-etiqueta funciona como o esvaziamento de símbolos, neste caso, da própria frase: no fly zone. NFZ surge assim, como um perímetro, um lugar vazio como tantos outros da vida na metrópole. Ou ainda, fronteira ou corredor, lugar provisório contra o perigo. (Né Barros)
VOOUM
Vooum is a beautiful series of explorations along the theme of geography: the geography of travel and the geography of the human heart. It utilizes one of the most thoroughly satisfying juxtapositions of film and live mouvement I’ve ever seen. The film footage (images of maps, airplanes, a variety of locales - some exotic, some familiar) firmly establishes the theme of travel. The movement poignantly embodies the impossibility of ever arriving at one’s final “destination”. The individual dancer’s movement vocabulary is lush and released, but is often contrasted with a cooler sense of geometric precision in the form of diagonal group formations. One of the most impressive aspets of this piece is that the projected images and the live images never seem to compete with one another. The peacefully co-habit the stage, resonating off each other in endlessly fascination ways. (Roger Copeland)
PASSOS EM BRANCO
Uma experimentação a partir de um jogo formal coreográfico procurando nos recursos dos bailarinos limites da expressividade do gesto. (Né Barros)
ADORMECIDA
Adormecida foi o resultado de uma encomenda do Rivoli Teatro Municipal. Tendo como ponto de partida a história da Bela Adormecida, neste trabalho, a coreógrafa cria uma situação de uma mulher num ambiente surreal conduzida por um corpo do desejo e do não-dito e onde se vai atravessando uma noiva-homem.
IN LIMINE
A partir da obra Messe de Liverpool, de Pierre Henry, o trabalho foi sendo construído colhendo alguns elementos estruturais e apropriando-se de um "sentido vocal" que a própria obra oferece. O trabalho apresenta-se como um continuum coreográfico sem uma morfologia demarcada ao contrário da obra musical que subscreve as cinco partes características da liturgia tradicional. A última parte a que Pierre Henry chamou Communion, apresenta-se na coreografia como uma representação de sentido: as faces e as faces dos corpos; o tempo simbólico e o tempo do "corpo humorado". Subjacente à composição - as frases, os módulos, os segmentos, quase todos consequentes ao nível diacrónico-, está a ideia de um organon que se funcionaliza e se disfuncionaliza. Talvez por aqui paire o humor (no sentido lato) e a forma dos corpos numa individualidade descompensada. (Né Barros)
L. M. LADY MACBETH
lúcido alcance da verdade: aquela do poder que está por detrás das palavras O projecto foi construído a partir de uma proposta dramatúrgica inspirada no "Macbeth" de Shakespeare. Centrado na figura de Lady Macbeth (L.M) e nos seres que ela procura - as bruxas, o trabalho foi sendo desenvolvido a partir de relações possíveis entre a palavra e o gesto, entre a composição e a narrativa. Atravessado pelo sentimento de traição, este trabalho acolhe uma mulher num estado límbico, entre lá e cá, num encontro com outras "mulheres" que são simultaneamente a corporização de desejos e dúvidas e as diferentes representações da L.M.. As três bruxas são o coro que juntamente com a 'voz' representam os outros seres (o que quer que isso seja!) que povoam o existir de L.M.. O tempo deste trabalho é um tempo de "estado", ter ou não ter o peso histórico é absolutamente secundário. Que o tenha se o fôr e que o não tenha se o nunca foi! (Né Barros)
DO PRINCÍPIO AO FIM (?)
Inspirado na Paixão Segundo S. Mateus de Johann Sebastian Bach esta coreografia teve como intenção construir um discurso coreográfico que conduzisse um corpo pelos aspectos narrativos da Paixão de Cristo. Corpos em movimento apropriados pela forma, que não transmitem conteúdos concretos da vida, mas que tentam alcançar e exteriorizar os estados por aqueles provocados. Estados que se alternam e misturam como sofrimento, desvanecimento, energias explosivas e pulsões. São corpos materiais mas que às vezes desejavam ser "almas" para que o próprio corpo não entravasse o eterno movimento interior. (Né Barros)
PENSAMENTOS SILENCIOSOS À ESPERA
...um trabalho com inspiração becktiana onde um grupo partilha um mesmo lugar. A coreografia é informal e mínima. (Né Barros)
SEE HOW THE WIND BLOWS
A metáfora do título tinha como objectivo chamar-nos a atenção para os espaços de sensações e da mistura dos sentidos na construção de memória sensível. Procurei que a música electroacústica de Jorgen Ploetner pudesse abrir uma nova inspiração sobre esta questão e que coreograficamente se estabelecesse uma relação forte entre a composição do gesto e o imprevisto da queda até esta se tornar também ela formal. (Né Barros)
Publicações
2009, Da materialidade na dança, livro ed. CEAA
2009, Story Case Print, co-autoria com Cesário Alves
2009, O corpo dançante: sentido em movimento
2009, Patafisica: Os patalugares e durex ex machina
2008, Futurismo. Futurismos
2008, Dança cinemática
2008, Modos de representação do corpo performativo
2008, Dido e Eneias. Dido e Eneias
2007, Dança e o corpo em luta
2006, Dança: Cartografia do Corpo
2004, Condições da Análise na Composição Coreográfica: para uma metodologia em construção
2005, Um perfil viajante – da Poética Trisha Brown
2004, Da cultura do erro à ética da forma
2001, Dança e tecnologias. A dupla complexa e os novos cenários para o corpo
2000, Dança Arritmica
2000, O Corpo e o Texto
1998, Metamorfoses do Sentir
Video Arte, Instalações e Video-Dança
1996, Dance Screen
1993, Dance Screen
2000, Napolidanza
Conferências-performances patafisicas
2005, 2007, Pata-lugares

2004,aventuras das tensões
